Pessoa jurídica consegue dano moral por protesto de título após pagamento com atraso

A 3ª turma do STJ negou recurso de uma empresa farmacêutica condenada por danos morais causados a outra empresa em razão de protesto de título realizado após pagamento em atraso de boleto

O caso envolveu um boleto bancário cujo vencimento estava previsto para 6/3/08 e que, apesar de pago com atraso no dia 13, foi protestado no dia 26/3.

A sentença declarou a dívida inexigível, cancelou o protesto e condenou a empresa farmacêutica, juntamente com o banco emissor do boleto, ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 8.175. O TJ manteve a decisão.

Constrangimento evitável

No STJ, a relatora, ministra Nancy Andrighi, destacou que a jurisprudência do tribunal é pacífica no sentido de que o protesto indevido de título cambial e documentos de dívida causa danos morais à pessoa jurídica.

Por outro lado, entende-se que o protesto de títulos não pagos configura o exercício regular de um direito e, portanto, não gera danos morais, situação que repassa ao devedor a incumbência de realizar o cancelamento do registro.

No caso julgado, entretanto, Nancy Andrighi entendeu não ser possível desprezar o fato de que a empresa só protestou o título mais de dez dias após o pagamento feito em atraso, “prazo suficiente para que credor e o banco-mandatário tomassem as medidas necessárias para evitar o constrangimento que, após o pagamento, torna-se ilegal”.

  • Processo relacionadoREsp 1.414.725
  • Artigo originalmente publicado em: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI249766,11049-Pessoa+juridica+consegue+dano+moral+por+protesto+de+titulo+apos